segunda-feira, 12 de março de 2012

Férias? Não obrigado!

"Os Suíços estão loucos!" ou ainda "A Europa não compreende os votos suíços", fazem hoje as manchetes dos jornais helvéticos. Motivo? A recusa de um aumento de 4 para 6 semanas anuais de férias pagas!

Ética de trabalho, orgulho nacional, medo de sermos contagiados pela crise europeia ou medo de perder do trabalho por chantagem do patronato? Na minha opinião todas as acima referidas! Na verdade 42 horas semanais de trabalho é a média semanal, comparado às 35 da vizinha França. Os Suíços efectivamente têm orgulho em dizer que "são um país rico porque trabalham mais que os outros" e a verdade é que o NÃO ganhou com quase 67%! Sim em média 67% da população suíça votou CONTRA o aumento das férias! Alguns cantões da suíça alemã chegaram até a 82% (!)

E a verdade é que até podíamos dar-nos ao luxo já que a produtividade nas últimas décadas aumentou 21% e os salários apenas entre 2 a 4%.

Para os trabalhadores (suíços e estrangeiros) o medo do desemprego, as condições ultra rigorosas da segurança social e de procura de emprego aliadas ao alto custo de vida e a pressão da crise na Europa contribuem de facto para este incrível resultado.

O Jobzilla vai ter que continuar a aguentar a pressão e desfrutar das actuais 4 semanas por ano :)

Afinal quem é que precisa de descansar num país onde se vive apenas e só para o trabalho?

Para os curiosos aqui fica o video da campanha do não

sexta-feira, 2 de março de 2012

Afinal os velhos...

... até tinham razão quando diziam "esta geração está perdida!"

Agora vejo que esta expressão faz cada vez mais sentido. Talvez porque também cresci e ocupei o seu lugar mas também pelas incríveis situações que tenho presenciado na Suiça. E cada geração que passa parece ficar ainda pior. Será esta a evolução que o Homem tanto ansiava?

No domingo passado dei por mim a dizer: "o que será deste país quando esta geração tomar as rédeas..."

Habituados em criança a fazer tudo o que lhes apetece sem que ninguém lhes diga nada, chegam a adolescentes ou jovens adultos estupidamente rebeldes sem causa.

A pressão da vida pessoal e do trabalho na Suiça chega a ser asfixiante com correria diária, trabalhar horas sem fim com maus hábitos alimentares. Não estão preparados nem querem tomar esse passo!

Não compreendo porque motivo jovens que nasceram ou cresceram cá, que têm todas as oportunidades de aprender uma formação e ter emprego garantido só se preocupam com futilidades e trabalhar o suficiente para pagar algumas facturas. Dizem eles que "querem gozar a vida e estão no seu pleno direito!"

O sentido da responsabilidade, civismo e respeito pelo patronato e colegas está perdido. Faltam constantemente à sua palavra, não assumem responsabilidades exigindo apenas o que melhor lhes convém.

O vandalismo tem aumentado na cidade, os controladores do comboio ao fim de semana e de madrugada chegam ao cúmulo de ser acompanhados por dois seguranças pois têm sido habitualmente agredidos e insultados. Nem mesmo a policia impõe respeito. São convidados a sair do comboio numa próxima paragem de outra forma o comboio não continuará para o seu destino, riem-se das autoridades e dizem que nem sequer pagam a multa porque nem documento de identificação trazem.

Já assisti a cenas incríveis como darem estalos e socos às suas namoradas. É costume dos suíços deixarem-se ficar no seu canto, desviando o olhar. É a sua forma de resolver os problemas, olhar para o lado e baixar a cabeça escutando música no seu Iphone.

Perdem-se no álcool e nas drogas e jogam futebol com sacos do lixo de madrugada.

Outro episódio recente: estar dentro da nossa garagem com a Miss Sonhos Milka e o nosso pequeno cão e um grupo de 6 adolescentes começarem a pontapear e sem nenhum motivo a porta da garagem... e pouco passava das 21 horas! Será necessário de futuro um recolher obrigatório?

O nosso prédio está em obras, o material foi deixado na rua pela empresa responsável. Basta vir o fim de semana que as espumas isolantes estão completamente danificadas. Não entendo qual é o prazer de abrir buracos num material que serve para isolar o prédio e evitar que as pessoas tenham frio e maiores custos anuais com aquecimento.

A esta gente falta-lhe um correctivo dos bons e aprendem uma coisa ou duas do que realmente é importante na vida. A Suiça e a sua imagem exemplar de último refúgio de respeito, civismo e segurança está a desaparecer a olhos vistos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Contratos e as suas diferenças

Aqui vai um post sobre algumas das diferenças nos contratos de trabalho entre Portugal e a Suiça.

Na Suiça não há indemnizações, existe sim um mínimo de 3 dias de pré-aviso. Normal são 7 dias até um máximo de 3 meses, dependendo do contrato feito. Este aspecto mobiliza bastante o mercado de trabalho. Tal não acontece em Portugal onde incompetentes mantêm-se nos quadros não sendo despedidos para não dar uma despesa adicional à empresa!

O salário anual é dividido por 12 meses e não em 13 ou em 14 com os subsídios de férias e de Natal como acontece em Portugal.

As horas extras são proibidas, apenas quando pedidas pelo patrão e podem ser pagas em dias de repouso em datas atribuídas pela empresa. Se o trabalhador não cumpre a sua função no tempo estipulado não está a esforçar-se o suficiente ou simplesmente não se adapta ao trabalho.

Os horários nocturnos de trabalho entre as 22 horas e as 05h00 com um acréscimo de 10% a 25% ao salário.

Não há IRS fictícios, como acontece em 99% dos casos em Portugal. Para o visto de residência L e B, os descontos são feitos directamente no final do mês, o que for creditado na conta bancária é o salário liquido já com os descontos e impostos.

Temos 8 feriados por ano, dependendo do cantão em que reside, nos quais em caso de ser necessário poderei trabalhar sem receber qualquer contrapartida.

As pausas não são pagas e temos direito a 30 minutos para almoçar. Quem quiser conversar e fazer pausas de meia hora para o café já sabe o que o espera.

Os contratos são negociados, uma pessoa pode desempenhar a mesma função que colega e receber menos 10%, por exemplo.

Vive-se imenso para a sua carreira e para o trabalho. É usual ver-se trabalhadores fora de horas no comboio, autocarro e metro. Há um fluxo enorme de trabalhadores a horas ditas "normais" mas também fora de horas. Em Portugal a grande maioria está habituada apenas das 9h00 às 18h00 e até recusa trabalhar longe de casa e com 3 turnos de 8 horas.

Somos responsabilizados pelo contrato que assinamos, é usual terem 7 página de obrigações e deveres ao invés da constante exigência de direitos como se vê em Portugal.

Se trabalhar a 140 quilómetros de casa e recebo o mesmo salário que um colega que trabalhe a 2. E isto não é negociável.

Todos os dias formam um novo desafio, nada de ficarmos acomodados à função ou ao trabalho, passar um período de experiência e depois abrandar o ritmo. O ritmo e a pressão é constante, quem não tiver pedalada para fazer mais e melhor cai fora e volta para a fila do desemprego.

Uma economia para ser forte tem que dar o exemplo. Afinal de contas, outra coisa não seria de esperar, a Suiça é o país de trabalho mais competitivo e inovador do mundo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A dura realidade

A recente emigração portuguesa na Suiça retratada pelo jornalista Noé Monteiro da RTP.

Na Suíça há portugueses a passar fome e a dormir na rua

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mais férias? Claro que não!


Cartaz do Partido dos Liberais Radicais na Suiça sobre a iniciativa popular de aumentar as férias para 6 semanas ao ano. Um incentivo ao VOTO CONTRA!

Tal contradição seria possível em terras lusas? Pedir aos cidadãos para votar contra uma proposta de aumento do número de semanas de férias em prol do emprego e da competitividade das PME's?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Novos desafios

Mais um ano que terminou, 2011 foi um misto de novas experiências e emoções. Tem sido uma caminhada e tanto.

A empresa da Miss Sonhos Milka muda-se para os Estados Unidos da América recebendo uma proposta de trabalho para a Califórnia! Neste momento não temos intenções de aceitar mas é sempre bom ter um plano B.

O franco forte e a certificação do produto na União Europeia custar 40 milhões são os maiores motivos para transferir o projecto para os EUA. 

Em Janeiro abraçará um novo projecto numa start-up igualmente importante para a evolução da investigação clínica.

Por o meu lado, estava cansado do meu trabalho, sem qualquer ambição ou oportunidade de aprender algo novo. Sentia que estava a desperdiçar capacidades e nem o salário me incentivava! Notava que os mais velhos no seu pedestal tinham regalias que jamais poderia ter mesmo produzindo mais e melhor. Tudo e apenas porque são emigrantes que chegaram à Suiça nos bons anos 80 e 90! E isto acontece em muitas empresas. Parasitas que estão bem encostados, normalmente entre os 45 e os 50 anos e que não permitem que os jovens tenham as mesmas condições, por muito que se apliquem.

Apesar da situação de desemprego actual e de crise decidi vir para casa sem qualquer perspectiva de trabalho ou fundo de desemprego. Quis passar a época natalícia alegre, sem frustrações pessoais. Não queria que a minha desmotivação "estragasse" uma época de família tão especial.

Eis que numa conversa surge a oportunidade de dedicar-me um novo projecto. Após alguns dias tenho gostado do do ambiente de trabalho e da experiência em geral. O que me faz verdadeiramente continuar a acordar de manhã e a sorrir quando volto de um dia em cheio.

Bom Ano!